sábado, 11 de maio de 2013


NONO DIA: AZOFRA / VILORIA DE RIOJA

30 KM

Mais um dia em que caminharíamos bastante. Saímos próximo das 07 horas e ainda estava escuro.

Não gostamos de sair para caminhar nesta condição, não estávamos com uma boa lanterna e nos dava uma insegurança, sem saber se estávamos no caminho certo.
O frio era de matar, estava uns 4 graus e com o vento que já vinha nos acompanhando nos outros dias e perdurou por todo esse trajeto também.

A situação do frio e vento não nos deixava sem vontade de fazer as paradas. Encontramos um grupo de jovens  que pararam em uma parte alta do caminho, achamos que eles estavam curtindo o frio e o vento. Risos

Encontramos uma sala de máquinas onde foi possível dar uma parada para o lanche.

A primeira grande parada foi em Santo Domingo de La Calzada. Visitamos a catedral e o milagre aconteceu!

Lembram-se da história que postamos neste Blog, no dia 06/03/2013 - Lendas e Curiosidades do caminho?
Estávamos na igreja já tinha algum tempo, contemplávamos as diversas obras.

Até então não tínhamos visto o famoso altar com o galo. Estávamos em silêncio, só tínhamos nós na igreja.
Em uma determinado momento nos deparamos com os animais.
 Eles ficam por quinze dias em um altar e tem todo o cuidado necessário nesse período.
 A Ana disse: - Será que é de verdade? Que galo silencioso! Canta galo!

No momento que a Ana terminou de falar, o galo começou a cantar e não parou mais. O silêncio era tanto e com a acústica da igreja já dá para imaginar o susto. Foi assustador.
Dizem que quando o galo canta é porque nosso caminho será um sucesso. Tivemos que pedir, mas ele cantou...risos
Continuamos nossa caminhada com nosso companheiro vento que nos castigava.

Passamos por mais cidades fantasmas.risos

Resolvemos parar em Granon para comer uma tortilla.
Tortilla é uma espécie de fritada que leva batata.

Partimos para a última etapa até Viloria de Rioja onde buscaríamos o alberque do Acácio e Orietta.

Depois de muito frio e combate contra o vento vencemos e chegamos no Albergue Acácio e Orietta. Só uma palavra – Fabuloso!
Só 10 camas, nos foi oferecido o jantar e café da manhã no melhor princípio do comunitário. O princípio é de compartilhar e isso fica claro do início até o fim. Estávamos em casa!

Foi muito bom para elevar nosso ânimo, relaxar o corpo já cansado da grande caminhada e ainda compartilhar das boas histórias, isso tudo ao lado de uma maravilhosa lareira.

O jantar foi belicioso! Todos compartilhando a refeição, as histórias e as risadas! A Ana não estava bem, sentia uma sensação de febre e foi deitar logo após a refeição. Acácio tranquilizou e nos assegurou que amanhã ela estaria melhor. A caminhada de hoje foi puxada e cansativa, o frio e o vento não nos deixou um momento. O melhor é mesmo uma boa noite de sono sonhando com as setas.

quinta-feira, 9 de maio de 2013


OITAVO DIA: NAVARRETE / AZOFRA

22 KM

Saímos mais cedo do que o normal. Muito frio mas o dia estava lindo demais.
Foi legal ver o nascer do sol e os picos nevados.

Mais um trajeto tranquilo e no meio de viniculturas.
Em Nájera, visitamos um mosteiro e ficamos encantados com a história e com os detalhes barrocos.
Uma breve parada para um bocadilho.

Vimos um espelho e resolvemos tirar uma foto, só depois que observamos que paramos sobre uma estrela.
Bastava passar por uma estrada que logo avistávamos as bicicletas. Fazer o caminho de bicicleta também é uma opção.
Em Azofra uma surpresa, o albergue municipal tem quartos duplos, ou seja, dormimos em um quarto só nosso depois de quase 10 dias.
Como sempre reencontramos alguns peregrinos e conhecemos novos.
Essa é a rotina do caminho.
Falando em rotina... todos os dias tínhamos que ensacar o saco de dormir, lavar roupas, cuidar dos pés e comprar os alimentos do dia seguinte. Como secávamos as nossas roupas?
Jantamos com nossos amigos brasileiros e depois de um bom vinho e boa conversa, finalmente dormimos com um pouco de privacidade.

Já rodamos muito e ainda falta um montão!



terça-feira, 7 de maio de 2013


SETIMO DIA: VIANA - NAVARRETE

31 KM

O frio estava de doer os ossos em Viana e perdurou durante todo o trajeto. Passamos por Logroño que é uma cidade uma relativamente grande e sentimos a diferença no trato com as pessoas.


 
Seguimos a peregrinação por um parque belíssimo e com algumas surpresas tais como : Passando por uma casa de madeira escutamos um assobio. Quando vimos era um casal de peregrinos coreanos que nos chamavam. Essa casa era um ponto de apoio para o peregrino. Foi ideal para nossa parada. Como o diálogo não era muito fácil entre nós e os coreanos, mais uma vez colocamos apelidos. Eles eram o colorido ( usava roupas muito coloridas) e ela a risadinha ( tudo ela ria).
  O Alexandre encontrou um prisma de orientação ( esporte que ele pratica no Brasil e que é muito difundido na Europa)

A chuva e o frio estavam fortes demais nos deixando mais cansados que o normal.
Em um dos bosques que atravessamos encontramos uma peregrina que levava a vieira no cordão envolta de seu pescoço. A Ana falou essa é uma verdadeira peregrina. Na conversa descobrimos que ela já tinha feito o caminho 14 vezes. Acabamos não perguntando o nome e como estava sempre com um casaco vermelho ficou para nós como chapeuzinho vermelho.
A parada em Navarrete foi no albergue municipal que é razoável mais bem quentinho. Encontramos nossos amigos coreanos e os brasileiros também nesse albergue. O frio era intenso por isso resolvemos jantar ao lado do albergue e mais uma vez o vinho foi nosso companheiro de alegria, servindo para esquentar a noite.
Saindo do restaurante, fomos à missa. Igreja estupenda, toda entalhada em madeira e ouro. A Ana tentou assistir a missa mas o efeito do vinho foi devastador,  dormiu durante a celebração.
Com o frio cortante voltamos para o albergue e dormimos sem barulho de ronco.( risos)






Sexto dia:  LOS ARCOS / VIANA -

18 KM

Que frio estamos passando! Depois de um dia chuvoso fomos brindados com uma manhã ensolarada.

Muitas vinícolas pelo caminho. Muitas subidas e descidas também.
O que mais nos surpreendeu foi o vento frio e constante. Doía de tão gelado! Quando chegamos na primeira parada tudo se transformou e a maior maravilha que nos aconteceu até agora: Um milagre do céu! – Nevou! Foi por muito pouco tempo mas foi emocionante ver os flocos de neve caindo. Esquecemos das dores e saudades de casa por um momento.
 

Depois disso o caminho continuou por subidas, descidas, vinícolas e vento. Até que chegamos a Viana onde descansaríamos e cuidaríamos das tão temidas bolhas e dores musculares.
Em Viana o frio continuava a castigar, quase desistimos do jantar por conta do frio. Estava 5 graus mais o vento era congelante.
No almoço conhecemos um inglês com o sobrenome Oliveira ( mesmo sobrenome do Alexandre) que nos apresentou a um casal de brasileiros de Londrina. Conversando com eles no Jantar e falando sobre as bolhas, tivemos mais um sinal do espírito peregrino. Nos ofereceram uma pomada que ajudou muito nas bolhas que a Ana já chama de bolhas assassinas. Mais o acontecimento mais assustador estava por vir. Ao chegarmos no albergue não conseguíamos encontrar nossa bolsa com todo o dinheiro e cartões do banco. Alexandre voltou ao restaurante, procuramos na mochila e nada. Já estávamos desesperados quando a encontramos dentro do saco de dormir. Ufa!!! Depois dessa aventura só mesmo uma boa noite de sono para restaurar.


Quinto dia: ESTELLA / LOS ARCOS -

22 KM

Saímos do albergue com chuva e frio.


Caminhada difícil pois a Ana tinha muitas bolhas e o Alexandre iniciava uma tendinite.
Primeira parada foi na fuente del vino e depois no monastério de Irache. Neste ponto podemos beber vinho diretamente de uma fonte que é oferecida pela Bodega Irache. Eles colocam também uma câmera de vídeo ligada para que a família possa ver pela internet o peregrino em sua passagem neste ponto.


O caminho teve um trecho em que caminhamos por cerca de 12 km sem parar. O caminho não teve muitas alterações em sua paisagem e essa quilometragem parecia se duplicar.

Estávamos com dores, cansados e com desânimo, só pensávamos em deitar um pouco e contar com uma boa refeição para ajudar a recuperar as forças.


O fato de ter chovido muito não ajudou nessa etapa e podemos dizer que foi uma etapa muito desgastante. Cantamos, contamos histórias, falamos muitos palavrões, mas a Ana só conseguia rir de nervoso em ver que o Alexandre estava com dores e não chegava ao nosso destino do dia.
Chegamos em Los Arcos ( Finalmente ). A foto da Ana já diz tudo!

Neste dia estava muito frio, o albergue não era dos melhores mas estávamos tão cansados que o que queríamos naquele momento era um banho e relaxar o corpo. Como sempre no nosso caminho a recompensa. Saímos para buscar a farmácia e tivemos um espetacular atendimento da farmacêutica que nos orientou sobre o que comprar para as bolhas e para o ressecamento dos lábios da Ana. Alexandre aproveitou e comprou também uma pomada  para ver se melhorava a tendinite.
Como sempre em nossa rotina fomos ao jantar que não pode faltar o vinho para nos ajudar a relaxar. Jantamos com duas enfermeiras francesas e na saída ainda paramos para conversar com um grupo belga que trocaram informações sobre suas bolhas com a Ana.

Os reencontros são frequentes, saindo do restaurante reencontramos Matt e o  Alemão. Tinha muitos dias que não tínhamos um conversa mais extensa e basicamente nos cumprimentávamos.  Nestes casos, como não sabíamos os nomes, colocávamos apelidos carinhosos o que nos fazia rir e isso faz muito bem.
Tinha um austríaco barbudo que chamávamos de Papai Noel que neste dia mostrou como se ronca. Ele estava ao nosso lado e mesmo cansados,  tendo tomado meia garrafa de vinho e utilizando os tampões de ouvido não foi fácil dormir. Bom, faz parte do caminho! Com o trajeto do dia seguinte já montado, partimos para a próxima etapa.







 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Quarto dia: PUENTE LA REINA / AYEGUI - 24 KM

 

Saímos às 8 horas, depois de um café da manhã no albergue de San Juan Apostolo.


 


 

O sol estava surgindo no horizonte e o visual era incrível.


O Alexandre resolveu despachar a mochila para Ayegui. O Albergue nos  ofereceu o transporte sem custo. Um bom momento para saber como funciona o serviço.
Iniciamos o caminho com muita subida e como estávamos com uma mochila só, ficamos alternando de tempo em tempo.


Nessa etapa desviamos por uma boa parte do caminho percorrendo lateralmente a estrada.


O motivo desse desvio foi um leve tremor de terra que tornou o caminho arriscado para o peregrino. Mesmo assim vimos peregrinos não respeitando as proibições e se aventurando pelo caminho tradicional.


Rota leve e passando por cidades medievais de tirar o fôlego. Encontramos nossos amigos brasileiros e todos estão bem e fazendo o caminho no seu tempo. Bem que todos dizem que os reencontros são constantes e agradáveis.


Por todo trajeto as cores, formas, relevos e sabores vão se misturando e algo novo aparece. Encontramos uma peregrina inglesa com seu cão que também é peregrino com vieira no pescoço e tudo. O nome no cão peregrino é Shawny.  Novos amigos são feitos pelo caminho, o destaque nessa etapa fica com o Holandês Randow e as irmães Suecas, onde a Ana passou o tempo em uma boa conversa.


 
Finalmente descobrimos o que é um bocadilho! Um enorme sanduíche que vai nos “encher o estômago” até a hora do menu do peregrino. 


O menu do peregrino é como o nosso prato do dia, a diferença é que lá tem um prato de entrada e o prato principal, tudo regado a bom vinho e deliciosas sobremesas.



Continuamos encontrando nossa “amiga” lama!


A Ana estava muito preocupada com seus joelhos que vinham de uma lesão recente. Felizmente até essa etapa da caminhada parece que está tudo OK. O trabalho de fortalecimento muscular está dando resultados.
Estávamos procurando uma farmácia já tinha alguns dias e não encontrávamos. O motivo, os mais diversos... ou porque não tinha, ou porque estava na siesta, ou era feriado, .... Bom, finalmente encontramos uma e compramos parte do que precisávamos.


Algumas parada, dores nos pés e pernas, finalmente chegamos perto de Ayegui. A cidade chama-se Estella e fica a uns dois km de Ayegui. Resolvemos parar por lá mesmo só que a mochila foi enviada para Ayegui. Resultado, o Alexandre rodou mais 4 km para buscar a mochila e ainda teve que pagar 5 euros com a alegação de que o serviço só era gratuito caso o peregrino utiliza-se o albergue de Ayegui. Coisas do caminho!

Tudo tem sua recompensa, ficamos em um albergue paroquial, onde o hospitaleiro, Sr. Narciso, é uma figura ímpar! Nos oferece cafezinho, frutas e biscoitos logo na nossa chegada. Nos contou uma curiosidade, tem peregrinos que colocam absorventes dentro das botas para evitar bolhas. As vezes ele esquecia que não somos espanhóis e soltava a língua, ficando difícil de entender. No dia seguinte nos brindou com um café da manhã, cuidou da nossa roupa tirando do varal quando começou a chover e isso tudo ao custo que o peregrino pode pagar ( Donativo ).
Os reencontros continuam acontecendo e vários peregrinos já conhecidos estavam chegando no albergue.
Ainda tivemos algumas situações : como o peregrino de bike que assustou o Alexandre e ele acabou pisando em uma lama com aspecto estranho. A Ana ficou brincando e falava que teria pisado em bosta e podia ser humana....demos boas risadas com a situação.
No jantar nos demos um presente, comemos no Assador. O custo não foi dos melhores mais estava tudo divino. Bom papo, boa música e excelente vinho. Prontos para dormir e recomeçar amanhã.