quinta-feira, 9 de maio de 2013


OITAVO DIA: NAVARRETE / AZOFRA

22 KM

Saímos mais cedo do que o normal. Muito frio mas o dia estava lindo demais.
Foi legal ver o nascer do sol e os picos nevados.

Mais um trajeto tranquilo e no meio de viniculturas.
Em Nájera, visitamos um mosteiro e ficamos encantados com a história e com os detalhes barrocos.
Uma breve parada para um bocadilho.

Vimos um espelho e resolvemos tirar uma foto, só depois que observamos que paramos sobre uma estrela.
Bastava passar por uma estrada que logo avistávamos as bicicletas. Fazer o caminho de bicicleta também é uma opção.
Em Azofra uma surpresa, o albergue municipal tem quartos duplos, ou seja, dormimos em um quarto só nosso depois de quase 10 dias.
Como sempre reencontramos alguns peregrinos e conhecemos novos.
Essa é a rotina do caminho.
Falando em rotina... todos os dias tínhamos que ensacar o saco de dormir, lavar roupas, cuidar dos pés e comprar os alimentos do dia seguinte. Como secávamos as nossas roupas?
Jantamos com nossos amigos brasileiros e depois de um bom vinho e boa conversa, finalmente dormimos com um pouco de privacidade.

Já rodamos muito e ainda falta um montão!



terça-feira, 7 de maio de 2013


SETIMO DIA: VIANA - NAVARRETE

31 KM

O frio estava de doer os ossos em Viana e perdurou durante todo o trajeto. Passamos por Logroño que é uma cidade uma relativamente grande e sentimos a diferença no trato com as pessoas.


 
Seguimos a peregrinação por um parque belíssimo e com algumas surpresas tais como : Passando por uma casa de madeira escutamos um assobio. Quando vimos era um casal de peregrinos coreanos que nos chamavam. Essa casa era um ponto de apoio para o peregrino. Foi ideal para nossa parada. Como o diálogo não era muito fácil entre nós e os coreanos, mais uma vez colocamos apelidos. Eles eram o colorido ( usava roupas muito coloridas) e ela a risadinha ( tudo ela ria).
  O Alexandre encontrou um prisma de orientação ( esporte que ele pratica no Brasil e que é muito difundido na Europa)

A chuva e o frio estavam fortes demais nos deixando mais cansados que o normal.
Em um dos bosques que atravessamos encontramos uma peregrina que levava a vieira no cordão envolta de seu pescoço. A Ana falou essa é uma verdadeira peregrina. Na conversa descobrimos que ela já tinha feito o caminho 14 vezes. Acabamos não perguntando o nome e como estava sempre com um casaco vermelho ficou para nós como chapeuzinho vermelho.
A parada em Navarrete foi no albergue municipal que é razoável mais bem quentinho. Encontramos nossos amigos coreanos e os brasileiros também nesse albergue. O frio era intenso por isso resolvemos jantar ao lado do albergue e mais uma vez o vinho foi nosso companheiro de alegria, servindo para esquentar a noite.
Saindo do restaurante, fomos à missa. Igreja estupenda, toda entalhada em madeira e ouro. A Ana tentou assistir a missa mas o efeito do vinho foi devastador,  dormiu durante a celebração.
Com o frio cortante voltamos para o albergue e dormimos sem barulho de ronco.( risos)






Sexto dia:  LOS ARCOS / VIANA -

18 KM

Que frio estamos passando! Depois de um dia chuvoso fomos brindados com uma manhã ensolarada.

Muitas vinícolas pelo caminho. Muitas subidas e descidas também.
O que mais nos surpreendeu foi o vento frio e constante. Doía de tão gelado! Quando chegamos na primeira parada tudo se transformou e a maior maravilha que nos aconteceu até agora: Um milagre do céu! – Nevou! Foi por muito pouco tempo mas foi emocionante ver os flocos de neve caindo. Esquecemos das dores e saudades de casa por um momento.
 

Depois disso o caminho continuou por subidas, descidas, vinícolas e vento. Até que chegamos a Viana onde descansaríamos e cuidaríamos das tão temidas bolhas e dores musculares.
Em Viana o frio continuava a castigar, quase desistimos do jantar por conta do frio. Estava 5 graus mais o vento era congelante.
No almoço conhecemos um inglês com o sobrenome Oliveira ( mesmo sobrenome do Alexandre) que nos apresentou a um casal de brasileiros de Londrina. Conversando com eles no Jantar e falando sobre as bolhas, tivemos mais um sinal do espírito peregrino. Nos ofereceram uma pomada que ajudou muito nas bolhas que a Ana já chama de bolhas assassinas. Mais o acontecimento mais assustador estava por vir. Ao chegarmos no albergue não conseguíamos encontrar nossa bolsa com todo o dinheiro e cartões do banco. Alexandre voltou ao restaurante, procuramos na mochila e nada. Já estávamos desesperados quando a encontramos dentro do saco de dormir. Ufa!!! Depois dessa aventura só mesmo uma boa noite de sono para restaurar.


Quinto dia: ESTELLA / LOS ARCOS -

22 KM

Saímos do albergue com chuva e frio.


Caminhada difícil pois a Ana tinha muitas bolhas e o Alexandre iniciava uma tendinite.
Primeira parada foi na fuente del vino e depois no monastério de Irache. Neste ponto podemos beber vinho diretamente de uma fonte que é oferecida pela Bodega Irache. Eles colocam também uma câmera de vídeo ligada para que a família possa ver pela internet o peregrino em sua passagem neste ponto.


O caminho teve um trecho em que caminhamos por cerca de 12 km sem parar. O caminho não teve muitas alterações em sua paisagem e essa quilometragem parecia se duplicar.

Estávamos com dores, cansados e com desânimo, só pensávamos em deitar um pouco e contar com uma boa refeição para ajudar a recuperar as forças.


O fato de ter chovido muito não ajudou nessa etapa e podemos dizer que foi uma etapa muito desgastante. Cantamos, contamos histórias, falamos muitos palavrões, mas a Ana só conseguia rir de nervoso em ver que o Alexandre estava com dores e não chegava ao nosso destino do dia.
Chegamos em Los Arcos ( Finalmente ). A foto da Ana já diz tudo!

Neste dia estava muito frio, o albergue não era dos melhores mas estávamos tão cansados que o que queríamos naquele momento era um banho e relaxar o corpo. Como sempre no nosso caminho a recompensa. Saímos para buscar a farmácia e tivemos um espetacular atendimento da farmacêutica que nos orientou sobre o que comprar para as bolhas e para o ressecamento dos lábios da Ana. Alexandre aproveitou e comprou também uma pomada  para ver se melhorava a tendinite.
Como sempre em nossa rotina fomos ao jantar que não pode faltar o vinho para nos ajudar a relaxar. Jantamos com duas enfermeiras francesas e na saída ainda paramos para conversar com um grupo belga que trocaram informações sobre suas bolhas com a Ana.

Os reencontros são frequentes, saindo do restaurante reencontramos Matt e o  Alemão. Tinha muitos dias que não tínhamos um conversa mais extensa e basicamente nos cumprimentávamos.  Nestes casos, como não sabíamos os nomes, colocávamos apelidos carinhosos o que nos fazia rir e isso faz muito bem.
Tinha um austríaco barbudo que chamávamos de Papai Noel que neste dia mostrou como se ronca. Ele estava ao nosso lado e mesmo cansados,  tendo tomado meia garrafa de vinho e utilizando os tampões de ouvido não foi fácil dormir. Bom, faz parte do caminho! Com o trajeto do dia seguinte já montado, partimos para a próxima etapa.







 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Quarto dia: PUENTE LA REINA / AYEGUI - 24 KM

 

Saímos às 8 horas, depois de um café da manhã no albergue de San Juan Apostolo.


 


 

O sol estava surgindo no horizonte e o visual era incrível.


O Alexandre resolveu despachar a mochila para Ayegui. O Albergue nos  ofereceu o transporte sem custo. Um bom momento para saber como funciona o serviço.
Iniciamos o caminho com muita subida e como estávamos com uma mochila só, ficamos alternando de tempo em tempo.


Nessa etapa desviamos por uma boa parte do caminho percorrendo lateralmente a estrada.


O motivo desse desvio foi um leve tremor de terra que tornou o caminho arriscado para o peregrino. Mesmo assim vimos peregrinos não respeitando as proibições e se aventurando pelo caminho tradicional.


Rota leve e passando por cidades medievais de tirar o fôlego. Encontramos nossos amigos brasileiros e todos estão bem e fazendo o caminho no seu tempo. Bem que todos dizem que os reencontros são constantes e agradáveis.


Por todo trajeto as cores, formas, relevos e sabores vão se misturando e algo novo aparece. Encontramos uma peregrina inglesa com seu cão que também é peregrino com vieira no pescoço e tudo. O nome no cão peregrino é Shawny.  Novos amigos são feitos pelo caminho, o destaque nessa etapa fica com o Holandês Randow e as irmães Suecas, onde a Ana passou o tempo em uma boa conversa.


 
Finalmente descobrimos o que é um bocadilho! Um enorme sanduíche que vai nos “encher o estômago” até a hora do menu do peregrino. 


O menu do peregrino é como o nosso prato do dia, a diferença é que lá tem um prato de entrada e o prato principal, tudo regado a bom vinho e deliciosas sobremesas.



Continuamos encontrando nossa “amiga” lama!


A Ana estava muito preocupada com seus joelhos que vinham de uma lesão recente. Felizmente até essa etapa da caminhada parece que está tudo OK. O trabalho de fortalecimento muscular está dando resultados.
Estávamos procurando uma farmácia já tinha alguns dias e não encontrávamos. O motivo, os mais diversos... ou porque não tinha, ou porque estava na siesta, ou era feriado, .... Bom, finalmente encontramos uma e compramos parte do que precisávamos.


Algumas parada, dores nos pés e pernas, finalmente chegamos perto de Ayegui. A cidade chama-se Estella e fica a uns dois km de Ayegui. Resolvemos parar por lá mesmo só que a mochila foi enviada para Ayegui. Resultado, o Alexandre rodou mais 4 km para buscar a mochila e ainda teve que pagar 5 euros com a alegação de que o serviço só era gratuito caso o peregrino utiliza-se o albergue de Ayegui. Coisas do caminho!

Tudo tem sua recompensa, ficamos em um albergue paroquial, onde o hospitaleiro, Sr. Narciso, é uma figura ímpar! Nos oferece cafezinho, frutas e biscoitos logo na nossa chegada. Nos contou uma curiosidade, tem peregrinos que colocam absorventes dentro das botas para evitar bolhas. As vezes ele esquecia que não somos espanhóis e soltava a língua, ficando difícil de entender. No dia seguinte nos brindou com um café da manhã, cuidou da nossa roupa tirando do varal quando começou a chover e isso tudo ao custo que o peregrino pode pagar ( Donativo ).
Os reencontros continuam acontecendo e vários peregrinos já conhecidos estavam chegando no albergue.
Ainda tivemos algumas situações : como o peregrino de bike que assustou o Alexandre e ele acabou pisando em uma lama com aspecto estranho. A Ana ficou brincando e falava que teria pisado em bosta e podia ser humana....demos boas risadas com a situação.
No jantar nos demos um presente, comemos no Assador. O custo não foi dos melhores mais estava tudo divino. Bom papo, boa música e excelente vinho. Prontos para dormir e recomeçar amanhã.




segunda-feira, 8 de abril de 2013

Terceiro dia: CIZUR MENOR / PUENTE LA REINA - 19 KM

Rumo ao auto do perdão.
Travessia pesada - Lama, lama e lama....Pedra, pedra e pedra....
Realmente foi o dia do perdão!


No caminho encontramos uma pessoa com seu cão . Paramos e fomos logo fazendo festa com o cachorro. O nome do cão eh Negu ( inverno em Basco ).


É isso que vale, são as línguas ouvidas e faladas...Australiano, Alemão, Italiano. espanhóis, até do Alaska encontramos.
Todos ficam felizes e os olhos brilham quando falamos que somos do Brasil.

O mais estranho é a tal da siesta. As cidades parecem fantasmas. Assim ficam mais lindas de se ver e absorver todos os detalhes sem confusão. Ouvimos somente os barrulhos dos cajados nas pedras.


Amamos Obanos, 1 km de cidade, nas é uma gracinha!


A Ana está em uma mistura de português, inglês e espanhol. Muitas vezes ela faz confusão e usa tudo em uma só frase.
Puente La Reina parece uma cidade medieval. Ruas pequenas, prédios de pedra e portas pesadas.


Ficamos em um albergue fora da cidade e em nosso quarto ouvimos franceses, alemães e ingleses falando ao mesmo tempo e ficamos encantados.

Nossos pés doem, algumas bolhas surgiram. Até o final não sabemos como estaremos.
Amanhã tem mais caminhada....


Ana diz que tem que melhorar sua paciência, até agora o caminho não ajudou.


Conhecemos Inga, Matt, Franz e outros mais. Estamos gostando muito!!!!
Acreditam que os alemães estão pedindo para a Ana ensinar a sambar!
A maior emoção para um peregrino é quando recebemos um carimbo em cada lugar que chegamos e já estamos com alguns em nossas credenciais.
Para fechar outro almoço regado a vinho, em nossa mesa coreanos, australianos e um belga. Nesse dia caímos no vinho branco e tome gargalhadas. O Alexandre fala que o Inglês da Ana esta nota 10.

Vamos para a próxima etapa....