terça-feira, 7 de maio de 2013


Sexto dia:  LOS ARCOS / VIANA -

18 KM

Que frio estamos passando! Depois de um dia chuvoso fomos brindados com uma manhã ensolarada.

Muitas vinícolas pelo caminho. Muitas subidas e descidas também.
O que mais nos surpreendeu foi o vento frio e constante. Doía de tão gelado! Quando chegamos na primeira parada tudo se transformou e a maior maravilha que nos aconteceu até agora: Um milagre do céu! – Nevou! Foi por muito pouco tempo mas foi emocionante ver os flocos de neve caindo. Esquecemos das dores e saudades de casa por um momento.
 

Depois disso o caminho continuou por subidas, descidas, vinícolas e vento. Até que chegamos a Viana onde descansaríamos e cuidaríamos das tão temidas bolhas e dores musculares.
Em Viana o frio continuava a castigar, quase desistimos do jantar por conta do frio. Estava 5 graus mais o vento era congelante.
No almoço conhecemos um inglês com o sobrenome Oliveira ( mesmo sobrenome do Alexandre) que nos apresentou a um casal de brasileiros de Londrina. Conversando com eles no Jantar e falando sobre as bolhas, tivemos mais um sinal do espírito peregrino. Nos ofereceram uma pomada que ajudou muito nas bolhas que a Ana já chama de bolhas assassinas. Mais o acontecimento mais assustador estava por vir. Ao chegarmos no albergue não conseguíamos encontrar nossa bolsa com todo o dinheiro e cartões do banco. Alexandre voltou ao restaurante, procuramos na mochila e nada. Já estávamos desesperados quando a encontramos dentro do saco de dormir. Ufa!!! Depois dessa aventura só mesmo uma boa noite de sono para restaurar.


Quinto dia: ESTELLA / LOS ARCOS -

22 KM

Saímos do albergue com chuva e frio.


Caminhada difícil pois a Ana tinha muitas bolhas e o Alexandre iniciava uma tendinite.
Primeira parada foi na fuente del vino e depois no monastério de Irache. Neste ponto podemos beber vinho diretamente de uma fonte que é oferecida pela Bodega Irache. Eles colocam também uma câmera de vídeo ligada para que a família possa ver pela internet o peregrino em sua passagem neste ponto.


O caminho teve um trecho em que caminhamos por cerca de 12 km sem parar. O caminho não teve muitas alterações em sua paisagem e essa quilometragem parecia se duplicar.

Estávamos com dores, cansados e com desânimo, só pensávamos em deitar um pouco e contar com uma boa refeição para ajudar a recuperar as forças.


O fato de ter chovido muito não ajudou nessa etapa e podemos dizer que foi uma etapa muito desgastante. Cantamos, contamos histórias, falamos muitos palavrões, mas a Ana só conseguia rir de nervoso em ver que o Alexandre estava com dores e não chegava ao nosso destino do dia.
Chegamos em Los Arcos ( Finalmente ). A foto da Ana já diz tudo!

Neste dia estava muito frio, o albergue não era dos melhores mas estávamos tão cansados que o que queríamos naquele momento era um banho e relaxar o corpo. Como sempre no nosso caminho a recompensa. Saímos para buscar a farmácia e tivemos um espetacular atendimento da farmacêutica que nos orientou sobre o que comprar para as bolhas e para o ressecamento dos lábios da Ana. Alexandre aproveitou e comprou também uma pomada  para ver se melhorava a tendinite.
Como sempre em nossa rotina fomos ao jantar que não pode faltar o vinho para nos ajudar a relaxar. Jantamos com duas enfermeiras francesas e na saída ainda paramos para conversar com um grupo belga que trocaram informações sobre suas bolhas com a Ana.

Os reencontros são frequentes, saindo do restaurante reencontramos Matt e o  Alemão. Tinha muitos dias que não tínhamos um conversa mais extensa e basicamente nos cumprimentávamos.  Nestes casos, como não sabíamos os nomes, colocávamos apelidos carinhosos o que nos fazia rir e isso faz muito bem.
Tinha um austríaco barbudo que chamávamos de Papai Noel que neste dia mostrou como se ronca. Ele estava ao nosso lado e mesmo cansados,  tendo tomado meia garrafa de vinho e utilizando os tampões de ouvido não foi fácil dormir. Bom, faz parte do caminho! Com o trajeto do dia seguinte já montado, partimos para a próxima etapa.







 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Quarto dia: PUENTE LA REINA / AYEGUI - 24 KM

 

Saímos às 8 horas, depois de um café da manhã no albergue de San Juan Apostolo.


 


 

O sol estava surgindo no horizonte e o visual era incrível.


O Alexandre resolveu despachar a mochila para Ayegui. O Albergue nos  ofereceu o transporte sem custo. Um bom momento para saber como funciona o serviço.
Iniciamos o caminho com muita subida e como estávamos com uma mochila só, ficamos alternando de tempo em tempo.


Nessa etapa desviamos por uma boa parte do caminho percorrendo lateralmente a estrada.


O motivo desse desvio foi um leve tremor de terra que tornou o caminho arriscado para o peregrino. Mesmo assim vimos peregrinos não respeitando as proibições e se aventurando pelo caminho tradicional.


Rota leve e passando por cidades medievais de tirar o fôlego. Encontramos nossos amigos brasileiros e todos estão bem e fazendo o caminho no seu tempo. Bem que todos dizem que os reencontros são constantes e agradáveis.


Por todo trajeto as cores, formas, relevos e sabores vão se misturando e algo novo aparece. Encontramos uma peregrina inglesa com seu cão que também é peregrino com vieira no pescoço e tudo. O nome no cão peregrino é Shawny.  Novos amigos são feitos pelo caminho, o destaque nessa etapa fica com o Holandês Randow e as irmães Suecas, onde a Ana passou o tempo em uma boa conversa.


 
Finalmente descobrimos o que é um bocadilho! Um enorme sanduíche que vai nos “encher o estômago” até a hora do menu do peregrino. 


O menu do peregrino é como o nosso prato do dia, a diferença é que lá tem um prato de entrada e o prato principal, tudo regado a bom vinho e deliciosas sobremesas.



Continuamos encontrando nossa “amiga” lama!


A Ana estava muito preocupada com seus joelhos que vinham de uma lesão recente. Felizmente até essa etapa da caminhada parece que está tudo OK. O trabalho de fortalecimento muscular está dando resultados.
Estávamos procurando uma farmácia já tinha alguns dias e não encontrávamos. O motivo, os mais diversos... ou porque não tinha, ou porque estava na siesta, ou era feriado, .... Bom, finalmente encontramos uma e compramos parte do que precisávamos.


Algumas parada, dores nos pés e pernas, finalmente chegamos perto de Ayegui. A cidade chama-se Estella e fica a uns dois km de Ayegui. Resolvemos parar por lá mesmo só que a mochila foi enviada para Ayegui. Resultado, o Alexandre rodou mais 4 km para buscar a mochila e ainda teve que pagar 5 euros com a alegação de que o serviço só era gratuito caso o peregrino utiliza-se o albergue de Ayegui. Coisas do caminho!

Tudo tem sua recompensa, ficamos em um albergue paroquial, onde o hospitaleiro, Sr. Narciso, é uma figura ímpar! Nos oferece cafezinho, frutas e biscoitos logo na nossa chegada. Nos contou uma curiosidade, tem peregrinos que colocam absorventes dentro das botas para evitar bolhas. As vezes ele esquecia que não somos espanhóis e soltava a língua, ficando difícil de entender. No dia seguinte nos brindou com um café da manhã, cuidou da nossa roupa tirando do varal quando começou a chover e isso tudo ao custo que o peregrino pode pagar ( Donativo ).
Os reencontros continuam acontecendo e vários peregrinos já conhecidos estavam chegando no albergue.
Ainda tivemos algumas situações : como o peregrino de bike que assustou o Alexandre e ele acabou pisando em uma lama com aspecto estranho. A Ana ficou brincando e falava que teria pisado em bosta e podia ser humana....demos boas risadas com a situação.
No jantar nos demos um presente, comemos no Assador. O custo não foi dos melhores mais estava tudo divino. Bom papo, boa música e excelente vinho. Prontos para dormir e recomeçar amanhã.




segunda-feira, 8 de abril de 2013

Terceiro dia: CIZUR MENOR / PUENTE LA REINA - 19 KM

Rumo ao auto do perdão.
Travessia pesada - Lama, lama e lama....Pedra, pedra e pedra....
Realmente foi o dia do perdão!


No caminho encontramos uma pessoa com seu cão . Paramos e fomos logo fazendo festa com o cachorro. O nome do cão eh Negu ( inverno em Basco ).


É isso que vale, são as línguas ouvidas e faladas...Australiano, Alemão, Italiano. espanhóis, até do Alaska encontramos.
Todos ficam felizes e os olhos brilham quando falamos que somos do Brasil.

O mais estranho é a tal da siesta. As cidades parecem fantasmas. Assim ficam mais lindas de se ver e absorver todos os detalhes sem confusão. Ouvimos somente os barrulhos dos cajados nas pedras.


Amamos Obanos, 1 km de cidade, nas é uma gracinha!


A Ana está em uma mistura de português, inglês e espanhol. Muitas vezes ela faz confusão e usa tudo em uma só frase.
Puente La Reina parece uma cidade medieval. Ruas pequenas, prédios de pedra e portas pesadas.


Ficamos em um albergue fora da cidade e em nosso quarto ouvimos franceses, alemães e ingleses falando ao mesmo tempo e ficamos encantados.

Nossos pés doem, algumas bolhas surgiram. Até o final não sabemos como estaremos.
Amanhã tem mais caminhada....


Ana diz que tem que melhorar sua paciência, até agora o caminho não ajudou.


Conhecemos Inga, Matt, Franz e outros mais. Estamos gostando muito!!!!
Acreditam que os alemães estão pedindo para a Ana ensinar a sambar!
A maior emoção para um peregrino é quando recebemos um carimbo em cada lugar que chegamos e já estamos com alguns em nossas credenciais.
Para fechar outro almoço regado a vinho, em nossa mesa coreanos, australianos e um belga. Nesse dia caímos no vinho branco e tome gargalhadas. O Alexandre fala que o Inglês da Ana esta nota 10.

Vamos para a próxima etapa....


domingo, 7 de abril de 2013

Segundo dia Larasoaña - Cizur Menor


Ao iniciarmos o caminho com muita chuva e frio, tínhamos que passar o tempo. Além de cantar a Ana começou a brincar com histórias de fantasmas do caminho. A chuva não parava e deu um ar diferente nos bosques.

 Encontramos um casal de peregrinos que foi muito criativo e colocou na ponta de seu cajado sapatinhos de cachorro. A Ana queria um alegando que o barulho do cajado no chão e chato demais.
Na primeira parada já não chovia e o sol saiu. Primeiro uso de band aid nos pés! Sofrível!

Primeira parada para o xixi e como não há banheiros nos bosques, a Ana usou bem as moitas. E da-lhe cantorias e fantasmas.
Por causa da chuva a Ana acabou levando um tombo na lama! MICO!!! Tranquilo, não se machucou.
Chegamos em Pamplona! SURPRESA!!! A cidade fica dentro de uma muralha de pedras. Maravilhosa! Caminhamos pelas ruas do festival de San Firmin. Ouvimos o dialeto local e a vontade que dá é ficar sentado no banco da praça tentando absorver todos os cheiros, cores, formas. Ficamos deliciados. Porém, por causa do feriado, tudo estava fechado.



Em Cizur Menor ficamos no albergue Maribel Roncal. Muito bom! A hospitaleira nos tratou como filhos, cuidou dos pés da Ana e ajudou com dicas e até na secagem de nossas roupas.

Como falamos de fantasmas, passamos por uma experiência engraçada: a toalha do Alexandre sumiu e se materializou em outro lugar - ele ficou apavorado! Lógico que foi descuido dele... no jantar bebemos demais e não paramos de rir com a história da toalha.. coisas do caminho que com vinho fica ainda melhor!!!
Preparar para mais um dia...

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Primeiro dia - Roscenvaslles para Larrasoaña 27km


Nos albergues os sapatos ficam ao lado de fora e depois entendemos melhor o porquê.

Frio de zero grau, mas nada melhor que uma surpresa pela manhã. Fomos acordados ao som de flauta. Emocionante! Dividimos o quarto com um casal de italianos e encontramos Diego e Stella, peregrinos brasileiros.

No caminho juntou-se ao nosso grupo uma paulista que caminhava sozinha e um alemão que estava aprendendo o português.Como cada um tem um ritmo, nessa primeira etapa já nos distanciamos. Tudo para nós era novidade e iniciamos o caminho no meio da neve e em bosques encantados. Verdadeira dadiva de Deus. Somos abençoados!


Não sabemos se a cidade era fantasma ou se era o período da Pascoa, mas Larrasoaña é linda e erma. Ficamos no albergue municipal e não foi bom.

RUMO À ESPANHA

                     

10 horas de vôo até Paris! Comemos muitoooo...Bons filmes e vôo agradável. Ao chegar em Paris, a Polícia Federal nos deu um susto.. nossos nomes estavam em uma lista e fomos retirados da fila e tivemos que passar por um pente fino. No final tudo deu certo. Foi só o susto! O vôo para Madri foi tranquilo e rapidamente chegamos em terras espanholas.O que nos espera? Ainda nao sabemos.


Os trens em Madri sao espetaculares! Do aeroporto temos metro para todos os lados e com ligação aos trens. Tivemos um contratempo onde soltamos na estação errada, porém resolvemos rápido pois todos foram extremamente gentis conosco.

Chegando em Pamplona fomos atendidos por uma taxista que nos levou até nosso destino inicial -  Roscensvalles. Taxista agradável e conversou conosco até lá, cobrando exatamente o taxímetro.