sábado, 18 de maio de 2019

Campos dos Jordão

Saímos ainda com a neblina baixa e acompanhados de um frio danado.





Em pouco tempo a neblina desaparece e com o corpo quente, iniciamos o processo de tirar as cascas....




Quando jantávamos na Pousada da D. Rose, ela nos perguntou sobre o caminho e qual eram nossos planos para as próximas etapas, lembrando que após o Centro de Campos dos Jordão tem um trecho que estrada asfaltada de 14 km que é perigoso para grupos grandes como o nosso - Sem acostamento - e sobre os riscos de assalto no último trecho. Nessa conversa falamos que nosso plano seria ficar no Refugio do Peregrino do Fábio. Tínhamos até feito a reserva com adiantamento de 50% do valor. Ela nos aconselhou ir mais a frente, uma vez que esse refúgio estava só a 12 km de sua pousada e era distante do centro de Campos dos Jordão. Ela ligou para a Pousada Primavera bem próximo ao centro de Campos dos Jordão e ainda conseguiu um preço especial para peregrinos. Para melhorar tudo o Fábio do Refúgio do peregrino nos devolveu o adiantamento.
Bom, ainda faltava uns bons passos até Campos dos Jordão. Em um determinado trecho do caminho fomos brindados com um dos mais belos visuais da caminhada.








Nossa caminhada até Campos dos Jordão levou 6 horas e 48 minutos, percorrendo 18,4 km.


Ana já se preparava para deixar o estilo peregrino de lado por umas horas.... estava chegando perto de Campos dos Jordão....










Luminosa....

Na travessia da serra da Mantiqueira, vimos muitas plantações de café e morangos. Claro que não poderíamos deixar de comprar morangos direto do produtor.











Alexandre, tinha pego cana de açúcar e nesta prendeu os morangos que sobraram.... um verdadeiro peregrino raiz....






De Paraisópolis até Luminosa, levamos 10 horas e percorremos 26,8 km. Uma opção que tínhamos e a maioria faz eh não parar em Luminosa e seguir mais uns 4 km até a Pousada da D. Inez, também muito conhecida no caminho. A Pousada é bem simples, mas fica no meio da serra e o visual é lindo. Claro que fizemos uma parada por lá para abastecer de água e conhecer essa figura lendária do caminho.
Luminosa ia ficando para trás conforme subíamos a serra.


Esse foi sem dúvida o trecho de subida mais difícil. Ana chegou a se sentir mal e teve que parar para recuperar as forças. Não dá para subir de uma vez só. Tem que fazer paradas.


Poucos foram os momentos em que tivemos percursos planos...



Ana ainda tinha forças para fazer a modelo....


Fizemos uma parada no meio da serra, em um local que parecia ser um restaurante. Tomamos um suco de Jabuticaba que estava uma delícia. O chefe de cozinha nos ofereceu uma degustação de um queijo feito por eles com molho de timi tchuri. Uma delícia! É claro que compramos o queijo já pensando em Campos dos Jordão que estava perto.
Seguíamos cansados, mas a cada passo que dávamos nos encantávamos mais com a serra.



 
Seguíamos ora por São Paulo ora por Minas Gerais....

 



Já víamos as placas para Campos dos Jordão, mas ainda teríamos uma pernoite em Campista.






 ... e tudo que sobe tem que descer..... Entramos por uma estrada de asfalto, com pouco ou nenhum acostamento e iniciamos uma descida de uns 7 km. Val que já sentia os joelhos estava em alerta máximo. Uma opção neste percurso é parar em uma pousada que tem no início da descida (Barão Montes) . Nossos planos era ficar na Pousada da dona Rose.
Na descida víamos muitas placas com a indicação para Campos dos Jordão, mas nenhuma indicando Campista, isso nos deu uma certa incerteza se estávamos no caminho certo e combinado a isso o cansaço....estresse! Rolou uma tensão no grupo, mas depois de conseguir contato telefônico com a D. Rose, seguimos cansados.






Neste dia nosso tempo foi de 8 horas e 22 minutos, sendo percorrido 23 km.





Paraisópolis....

Paraisópolis nos esperava naquele dia e seguiríamos até a pousada Peregrino da Mantiqueira. Ainda na Pousada da Dona Elza em Consolação, a qual não é mais da Dona Elza e sim do André,  recebemos a indicação de ficar na Pousada da mãe do André que ficava mais no centro de Paraisópolis, no final optamos por seguir nosso planejamento e foi muito bom. A Pousada do José fica a uns 400 metros do centro da cidade, ele transformou a casa para receber alguns poucos peregrinos e é uma pessoa bem agradável. Adoramos a recepção e atenção deste que também tem o espírito do caminho da fé.




Este foi um dos poucos dias em que saímos a noite, mas foi por poucos minutos, antes mesmo de sair da parte central da cidade já estava claro.








Nós que já fizemos outras caminhadas, sabemos o quanto é difícil e o quanto nos dá prazer em concluir. Lembramos da nossa primeira caminhada e ficamos nos colocando no lugar das pessoas que estavam fazendo a caminhada pela primeira vez. No caminho, sempre tinham placas de incentivo...








Neste percurso entramos e saímos de São Paulo algumas vezes. Percorremos o caminho pela divisa e em cada curva estávamos em São Paulo e em outra em Minas Gerais.









Vimos muitas borboletas nessa etapa, o que alegra muito a Ana que tem lembranças de sua mãe. Tirar fotos de borboleta com o celular não é a tarefa mais fácil. Falando em fotografia, Alexandre ficou arrependido de não ter levado sua maquina fotográfica. Na maioria dos dias a claridade era muita e como nossos celulares não são os melhores, faltou recurso.







Somente neste dia tivemos que sacar nossas capas de chuva e assim mesmo foi por muito pouco tempo.








Neste dia paramos na Hospedaria do Jucemar, essa também é conhecida do caminho. Lá tem uma réplica da imagem de Nossa Senhora Aparecida e ele tem o espírito do caminho da fé, lemos muito bem sobre ele. Na parada, que já era no horário do almoço ou até passava, fomos recebidos pela Vó Elza. Claro que resolvemos fazer uma parada maior e almoçar. Infelizmente não conhecemos o Jucemar que não estava, mas fomos muito bem recebidos por todos que estavam lá.








Caminhar depois de um maravilhoso almoço não é das tarefas mais fáceis....bateu um sono ....Bom, Luminosa nos esperava. Nos últimos KM vimos a cidade que está no meio de um vale. Parece uma cidade de contos de fadas.










Neste ponto temos o sentimento que estamos chegando e é tudo ilusão.... ainda caminhamos muitas horas até chegar a Luminosa. Parecia que a cada passo que dávamos a cidade se distanciava mais....










Em Luminosa ficamos na Pousada Casa Gonçalina. Uma casa antiga que foi transformada em hospedaria. Tudo com muito bom gosto. A proprietária não autorizou fotos com os funcionários, mas um deles merece destaque. O nome não é muito comum, Ravel, pessoa pura, com muitas ambições e bem preparado. Gostamos muito de conversar com ele. Contratamos ele para levar nossas mochilas. Vale uma parada por lá para conhecer essa figura.






sexta-feira, 17 de maio de 2019

Consolação....

Seguimos para consolação. Negociamos a remessa das mochilas com o dono da pousada em Estiva, Sr. Poka. Tudo pronto, fazíamos nosso agradecimento e pediámos uma boa caminhada....




O caminho da fé, diferente do caminho de Santiago na Espanha, ainda é muito frequentado pelos ciclistas. Como já falamos, vimos poucos fazendo o caminho a pé.




Os ciclistas queriam sempre tirar fotos conosco.... será que somos tão raros assim... brincadeira... em uma caminhada como essa somos só alegria.




Neste momento da caminhada o grupo estava mais consolidado. Cada um fazia no seu ritmo, mas no final estávamos sempre, ou quase sempre juntos.




Na foto acima o Sr. Poka nos encontra no caminho, ele levava nossas mochilas para a próxima cidade e parou para ver se precisávamos de algo, abastecendo nossas garrafas com água gelada.


O legal dessas caminhadas é ver do que somos capazes. Depois de subir um morro enorme, olhávamos para trás e não acreditávamos no nosso feito. É muito bom o sentimento de ter conseguido.




Por muitos momentos achávamos que estávamos no ponto mais alto da travessia.




Muitos fazem o caminho a cavalo. Tivemos o prazer de ver vários deles em cavalgada até Aparecida.




Passamos por um lugar onde o orvalho destacava as teias de aranha, fazendo um espetáculo a parte no caminho...




Em uma parada as meninas lembraram da infância, quando encontraram chupetas de açúcar.




Esse percurso foi feito em 4 horas e 47 minutos, percorrendo 17,6 km. Ficamos na Pousada da D. Elza.

Estiva....

Nosso próximo passo era para Estiva.
Neste percurso percorremos 23,8 km em 9 horas e 28 minutos.
Como em todas as localidades, o caminho passa pela igreja....




Nesta altura a Patrícia já era conhecida por nós como Patrícia Mel, em homenagem a Luísa Mel. Ela levam alguns quilos a mais em sua mochila e alimentava os cachorros do caminho.




Uma linda cachorra de pelos marrom claros fez a festa ao nos encontrar. Parecia uma filhote. Depois de brincar com o bichamos nos despedimos e seguimos... em falar em seguimos.... esse foi o problema, ela nos seguia para todos os lados....Achamos que ela percorreu uns 15 km conosco. Chegando na cidade, foi difícil a despedida. Nossa sorte foi que juntou-se a nós um outro amante dos animais, Rodrigo cuidou logo de fazer ela se enturmar com outros cachorros da cidade.
Nosso agradecimento ao Rodrigo!



 


Seguimos caminhando, secando nossas roupas e curtindo cada minuto dessa aventura.








Chegamos a Estiva e ficamos na Pousada do Poka. Uma Pousada bem estruturada.








Neste dia estava tendo um casamento na igreja da cidade. Só a Patrícia se animou em ir.
A noite saímos para jantar e Ana preferiu comer no quarto para recuperar bem as energias. Alexandre ainda se animou e foi para um bingo que estava tendo na praça. Os prêmios eram - Um frango, um pernil, descontos em lojas da cidade..... ainda bem que não ganhou nada.... imagina ter que levar um porco de 10 quilos nas constas.....