Histórias de um casal em férias. Contamos o que acontece em nossas viagens e registramos algumas fotos.
sábado, 18 de janeiro de 2014
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
sábado, 15 de junho de 2013
ÚLTIMO DIA DE NOSSA CAMINHADA : PEDROZO /
SANTIAGO DE COMPOSTELA - 20 KM
A ansiedade está total!
Iniciamos o dia bem cedo, nosso objetivo de
hoje é chegar a Santiago para assistir a missa do peregrino que inicia as 12:00h.
A manhã estava misteriosa, estávamos
calados e uma sensação estranha pairava no ar.
Alexandre tirou uma foto da Ana e ao
verificar surpreendeu-se com uma névoa que não viu quando tirou a foto.
Voltamos com as brincadeiras com fantasmas,
dando boas risadas.
Fomos aquecendo e curtindo ao máximo o
caminho, estava acabando.
Cada passo que dávamos nos sentíamos mais
vazios. Já era a saudade batendo e como não ter saudade desse lugar....
Seguimos caminhando e quando percebemos já
estávamos bem próximo do Monte do Gozo.
Nesse ponto a concentração de peregrinos
era muito grande, todos buscavam chegar antes da missa.
Chegando ao Monte do Gozo percebemos que
estávamos andando a um tempão sem dar uma parada. Já estávamos bem próximo do
destino e essa foi nossa primeira parada.
Nesse ponto encontramos a brasileira Rosita
e o espanhol Tomy, peregrinos que conhecemos no meio do caminho. Seguindo a
tradição e descemos o Monte do Gozo cantando, todos juntos, e isso foi
especial.
Entrando na cidade um silêncio tomou conta
de nós. Seguíamos caminhando dentro da rotina da cidade. Já era um prenúncio do
final.
Cruzamos a cidade entre artistas de rua e
outros peregrinos que já faziam suas compras em um momento totalmente turista. Por
fim lá estávamos, frente a frente com aquele monumento espetacular.
Esperávamos um sentimento de dever
cumprido, alegria, alívio e tudo mais que normalmente sentimos quando cumprimos
um desafio. O que ocorreu foi totalmente diferente, o sentimento foi de
tristeza. Um sentimento de perda, ruptura. Muito estranho!
Você encontra todos os outros peregrinos
que percorreram o caminho com você e sabe que provavelmente não os verão mais.
Ainda bem que isso é só um sentimento e
temos que aprender com isso, buscando curtir a vida da melhor forma possível.
Comprovamos que isso é muito fácil.
Agora não somos mais peregrinos, somos
turistas!
Chegamos a poucos minutos do horário da
missa, a igreja já estava lotada e sentamos no chão mesmo.
Para nossa alegria estava tendo um encontro
de padres e a missa contou com a cerimônia do botafumeiro.
Para erguer o botafumeiro e movimenta-lo é
necessário a força de vários homens.
Ana cumpriu seu compromisso de colocar sua
camisa nova e tirar uma foto na Espanha.
Uma curiosidade: Em um determinado ponto do
caminho conhecemos o peregrino Marco que estava com problemas nos pés e tinha nos
dito que deixaria sua unha em Santiago de Compostela. Lá estava ele no mesmo albergue que nós e não é que ele cumpriu a
promessa.
Reencontramos praticamente todos os brasileiros
que cruzamos no caminho, mas foi muito bom reencontrar o casal Diego e Stella
que conhecemos pela internet antes mesmo da caminhada, caminhamos juntos o
primeiro dia e nos reencontramos no último. Parabéns, vocês foram guerreiros! Lembram-se
do cajado que passamos para eles. Pois bem, eles encontraram outro peregrino
que estava indo para Finisterra e o cajado seguiu. Isso é muito legal. Esse
cajado vai ficar rodando o caminho para sempre.
Fechamos o dia com o Jantar dos peregrinos
brasileiros.
Missão cumprida, agora é turismo! Ainda temos que conhecer
um pouco da Espanha.
Agradecemos a atenção de todos que
acompanharam e deram força em nossa peregrinação.
Que venha a próxima aventura!
sexta-feira, 14 de junho de 2013
VIGÉSIMO SETIMO DIA: MELIDE / PEDROZO - 34 KM
Nos últimos 100 km do caminho passamos a
encontrar muitos peregrinos. Na verdade vimos muitos grupos. No início da
caminhada de hoje passamos muito frio.
Cruzamos
com um grupo de peregrinos de Portugal que estavam fazendo o caminho primitivo.
Quem sabe esse não é nossa próxima aventura....
Alessandra e Renato já haviam saído e
iniciamos nosso penúltimo dia de caminhada sozinhos.
Foi um caminho árduo e bem doloroso, com
subidas e descidas. Ana divide seus momentos entre gargalhadas e choro.
Alexandre se mantém paciente e junto,
prestando sua força, consolando e apoiando em todos os momentos.
Em um determinado momento da caminhada o
tempo ficou muito ruim, choveu e para nossa surpresa do céu caiam pedras de
gelo.
O
que mais poderíamos esperar dessa caminhada.
Depois da chuva, com a terra quente, começou um
processo interessante de evaporação que tornou o caminho bem mais mágico.
O dia foi de chove um pouco e para. Um coloca
capa de chuva e tira capa de chuva que dava nos nervos.
Encontramos nossos amigos novamente e vimos
que Alessandra estava buscando forças para completar a caminhada. Como estavam em
um ritmo muito lento resolvemos seguir sem eles mantendo nossos pensamentos na
sua recuperação.
Cruzamos com esse cara nervoso que mesmo
com cara de poucos amigos queria festa.
Cruzamos também com esses caras que estavam
bem tranquilos.
O caminho tem muitos lugares lindos, mas
esse tem uma magia...
Mais uma breve parada para um lanche ao
custo de um donativo.
Paramos em um bar para um café e vimos que
na parede tinham muitas moedas. Como a parede era de pedra, os peregrinos
colocavam nas frestas moedas pedindo alguma coisa. Lá também foi depositado
nossa fé.
Ana já posicionou sua bandeira do Brasil
pensando na chegada ao nosso destino.
O cansaço vai nos abatendo a cada dia e só
pensamos em Santiago. A ansiedade vai tomando conta e um sentimento estranho
começa a nos dominar.
Já estamos sentindo saudades dos símbolos do
caminho.
Para concluir o dia faltam apenas uns 18 km
e algumas horas, mas parece uma eternidade.
Chegando em Pedroso não achávamos o
Albergue municipal, Alexandre propõe ficar em um albergue privado e Ana comenta:
- Agora é questão de honra! Vamos encontrar o albergue municipal.
Chegando no Albergue vimos que estava quase
lotado e ficamos com um dos últimos lugares. Isso não seria problema, mas estava
lotado de adolescentes barulhentos. Onze da noite e eles fazendo a maior
algazarra. Tranquilo, faz parte de nosso crescimento espiritual.
Não podemos nos queixar de nada!
Agora
é só tentar dormir para o tão esperado último dia de caminhada com a chegada a Santiago de Compostela.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
VIGÉSIMO SEXTO: GONZAR / MELIDE- 32 KM
Depois de um dia quente de sol, hoje
amanheceu muito frio, com névoa e chuva. O espanhol Tomy caminhou conosco por
parte do caminho.
O caminho continua lindo, entre bosques de eucalipto
e muito verde.
Cuidado com as formigas no caminho.
O clima estava piorando e estava muito
frio.
Alessandra estava com dificuldades para
caminhar e Alexandre voltava a se queixar das dores no tendão de Aquiles, porém
os km eram muitos e tínhamos que continuar.
Como o ritmo da Alessandra era menor que o
nosso, tendo em vista seus problemas com bolhas e outras dores do caminho, resolvemos
que adiantaríamos. Recomendamos não levar o corpo ao limite, ainda faltavam
alguns bons km até Santiago.
Após Casanova resolvemos seguir e deixamos
nossos amigos para trás.
Aceleramos e ao passarmos por Coto, não
víamos mais as setas. Passamos a ladear uma estrada que muito movimentada o que anunciava que
estávamos no caminho errado. Não tinha uma viva alma nas proximidades e
tínhamos que decidir se voltávamos ou seguíamos. Depois de um km vimos uma casa
e pedimos ajuda. Uma senhora apareceu e confirmou que estávamos perdidos,
orientando a pegar a primeira esquerda que o caminho ficava naquela direção. Ao
dobrar passamos a ver alguns trabalhadores rurais e fomos pedindo informação
até que encontramos as famosas setas amarelas.
Já tínhamos caminhado muito mais que o
planejado e o cansaço já estava novamente nos abatendo. Foi muito bom ver que
chegamos a tão famosa cidade dos “pulpos”.
Chegamos ao albergue e para nossa surpresa
o Renato e a Alessandra chegaram logo em seguida. Foi muito legal porque a Alessandra
não estava bem e achávamos que não conseguiria completar essa etapa.
Uma curiosidade: Existe no caminho pequenas
casas que não identificamos para que serviam.
Ficávamos imaginando e dando palpites de sua
serventia. Exemplo: É para guardar ossos.....é uma espécie de pombal...é um
local para rezar....
Qual não foi nossa surpresa ao ver que eram
para armazenar milho, queijo e outros frios feitos nas aldeias.
Agora vamos aos “pulpos”.
A Ana amou os tais pulpos, mas o Alexandre
não gostou muito. Renato nem se atreveu a experimentar e pediu um bom e velho
bife de vaca. Como não podia ser diferente o jantar agradável e diferente.
Voltamos para o albergue com um frio intenso
que não nos deixou conhecer melhor a cidade.
Fim do dia ... Uma boa noite de sono é o
que desejamos porque amanhã teremos mais um dia pesado.
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