sexta-feira, 14 de junho de 2013


VIGÉSIMO SETIMO DIA: MELIDE / PEDROZO -  34 KM

Nos últimos 100 km do caminho passamos a encontrar muitos peregrinos. Na verdade vimos muitos grupos. No início da caminhada de hoje passamos muito frio.

 Cruzamos com um grupo de peregrinos de Portugal que estavam fazendo o caminho primitivo. Quem sabe esse não é nossa próxima aventura....

Alessandra e Renato já haviam saído e iniciamos nosso penúltimo dia de caminhada sozinhos.

Foi um caminho árduo e bem doloroso, com subidas e descidas. Ana divide seus momentos entre gargalhadas e choro.


 Alexandre se mantém paciente e junto, prestando sua força, consolando e apoiando em todos os momentos.

Em um determinado momento da caminhada o tempo ficou muito ruim, choveu e para nossa surpresa do céu caiam pedras de gelo.


 O que mais poderíamos esperar dessa caminhada.
Depois da chuva, com a terra quente, começou um processo interessante de evaporação que tornou o caminho bem mais mágico.

O dia foi de chove um pouco e para. Um coloca capa de chuva e tira capa de chuva que dava nos nervos.

Encontramos nossos amigos novamente e vimos que Alessandra estava buscando forças para completar a caminhada. Como estavam em um ritmo muito lento resolvemos seguir sem eles mantendo nossos pensamentos na sua recuperação.
Cruzamos com esse cara nervoso que mesmo com cara de poucos amigos queria festa.

Cruzamos também com esses caras que estavam bem tranquilos.


O caminho tem muitos lugares lindos, mas esse tem uma magia...

Mais uma breve parada para um lanche ao custo de um donativo.

Paramos em um bar para um café e vimos que na parede tinham muitas moedas. Como a parede era de pedra, os peregrinos colocavam nas frestas moedas pedindo alguma coisa. Lá também foi depositado nossa fé.


Ana já posicionou sua bandeira do Brasil pensando na chegada ao nosso destino.

O cansaço vai nos abatendo a cada dia e só pensamos em Santiago. A ansiedade vai tomando conta e um sentimento estranho começa a nos dominar.
Já estamos sentindo saudades dos símbolos do caminho.

Para concluir o dia faltam apenas uns 18 km e algumas horas, mas parece uma eternidade.

Chegando em Pedroso não achávamos o Albergue municipal, Alexandre propõe ficar em um albergue privado e Ana comenta: - Agora é questão de honra! Vamos encontrar o albergue municipal.
Chegando no Albergue vimos que estava quase lotado e ficamos com um dos últimos lugares. Isso não seria problema, mas estava lotado de adolescentes barulhentos. Onze da noite e eles fazendo a maior algazarra. Tranquilo, faz parte de nosso crescimento espiritual.
Não podemos nos queixar de nada!
Agora é só tentar dormir para o tão esperado último dia de caminhada com a chegada a Santiago de Compostela.

quarta-feira, 12 de junho de 2013


VIGÉSIMO SEXTO: GONZAR / MELIDE-  32 KM


 

 




Depois de um dia quente de sol, hoje amanheceu muito frio, com névoa e chuva. O espanhol Tomy caminhou conosco por parte do caminho.


O caminho continua lindo, entre bosques de eucalipto e muito verde.
 
 


Cuidado com as formigas no caminho.



O clima estava piorando e estava muito frio.



 Alessandra estava com dificuldades para caminhar e Alexandre voltava a se queixar das dores no tendão de Aquiles, porém os km eram muitos e tínhamos que continuar.



Como o ritmo da Alessandra era menor que o nosso, tendo em vista seus problemas com bolhas e outras dores do caminho, resolvemos que adiantaríamos. Recomendamos não levar o corpo ao limite, ainda faltavam alguns bons km até Santiago.

Após Casanova resolvemos seguir e deixamos nossos amigos para trás.

Aceleramos e ao passarmos por Coto, não víamos mais as setas. Passamos a ladear uma estrada que  muito movimentada o que anunciava que estávamos no caminho errado. Não tinha uma viva alma nas proximidades e tínhamos que decidir se voltávamos ou seguíamos. Depois de um km vimos uma casa e pedimos ajuda. Uma senhora apareceu e confirmou que estávamos perdidos, orientando a pegar a primeira esquerda que o caminho ficava naquela direção. Ao dobrar passamos a ver alguns trabalhadores rurais e fomos pedindo informação até que encontramos as famosas setas amarelas.


Já tínhamos caminhado muito mais que o planejado e o cansaço já estava novamente nos abatendo. Foi muito bom ver que chegamos a tão famosa cidade dos “pulpos”.

Chegamos ao albergue e para nossa surpresa o Renato e a Alessandra chegaram logo em seguida. Foi muito legal porque a Alessandra não estava bem e achávamos que não conseguiria completar essa etapa.

Uma curiosidade: Existe no caminho pequenas casas que não identificamos para que serviam.




 Ficávamos imaginando e dando palpites de sua serventia. Exemplo: É para guardar ossos.....é uma espécie de pombal...é um local para rezar....

Qual não foi nossa surpresa ao ver que eram para armazenar milho, queijo e outros frios feitos nas aldeias.




Agora vamos aos “pulpos”.

A Ana amou os tais pulpos, mas o Alexandre não gostou muito. Renato nem se atreveu a experimentar e pediu um bom e velho bife de vaca. Como não podia ser diferente o jantar agradável e diferente.



 Voltamos para o albergue com um frio intenso que não nos deixou conhecer melhor a cidade.

Fim do dia ... Uma boa noite de sono é o que desejamos porque amanhã teremos mais um dia pesado.




terça-feira, 11 de junho de 2013


VIGÉSIMO QUINTO DIA:    BARBADELO / GONZAR -  26 KM

Início de caminhada tranquila mas com um dia prenunciando muito calor.
Nossos novos amigos Renato e Alessandra continuam conosco.
Como já anunciado, o sol nos castigou durante todo o dia e mesmo com muito protetor solar acabamos bronzeados e com marcas da camisa.
Realmente a Galícia nos traz uma paisagem totalmente diferente. Muitos bosques e árvores gigantescas.
Acabamos almoçando em uma tienda no meio do caminho e ao som de Nina Simone. Ana amou!
Chegando a Portomarin a tão famosa escadaria. Foi mole!



Depois de 20 km o ânimo da Ana já não era o mesmo. Estava exausta! Alexandre estava na mesma mas fazia corpo duro e mantinha a pose.
O sol nos castigava e Ana reclamava do ombro que começou a doer mais do que o normal. Ana chorou em vários momentos do dia e teve um momento em que o Alexandre precisou ajudar, carregando as mochilas por um tempo.
Na reta final tudo parece estar mais difícil de superar. Os pés doem, as costas doem, os ombros, joelhos.... faltam uns 3 dias e a tensão só aumenta.
Detalhes do caminho:
Observe os detalhes na porta...
Sempre encontramos nossos amigos...
Em alguns momentos não recebemos a atenção.... o cansaço é maior....
Caminho dividido com tranquilidade. Cada um na sua.....


Uma parada para o lanche....e um donativo.

Chegando ao albergue a vontade era de nem sair para comer de tão cansados.
O bom é que basta pensar no que vivemos naquele dia que já nos recuperamos....


VIGÉSIMO QUARTO DIA:   TRIACASTELA / BARBADELO -  23 KM

Caminho em bosques lindos, com subidas e descidas e muito calor!


Logo no início encontramos o casal Renato e Alessandra. Ele é brasileiro e ela Venezuelana, mas moram na Suíça.
Viemos juntos por todo o caminho e foi melhor porque conversando o tempo passa mais rápido.
Fizemos um piquenique em pleno banco da praça em Sarria. Foi relaxante e saboroso!
No caminho encontramos alguns amigos.



Chegando em Barbadelo só pensávamos em um bom banho e descanso. Logo na entrada da cidade um marroquino nos abordou oferecendo um albergue e foi aceito na hora! Alexandre não gostava de parar no primeiro albergue mais tem um momento em que o cansaço é maior.
Agora é buscar um local para jantar e dormir porque a cidade é tão pequena que não parece ter nem fiel para assistir a missa. Alexandre resolveu checar e foi até a igreja que ficava a um km de onde estávamos. Confirmou que não tinha nada para fazer e pelo que viu também não deve ter missa.
O Jantar como sempre foi muito gostoso em um lugar bem agradável. Com a presença de nossos novos amigos o dia estava completo.
Estamos nos últimos Km da caminhada!